{"id":384,"date":"2025-04-18T20:58:54","date_gmt":"2025-04-18T20:58:54","guid":{"rendered":"https:\/\/sindcompositores.org.br\/?p=384"},"modified":"2025-04-18T20:58:56","modified_gmt":"2025-04-18T20:58:56","slug":"uma-turne-chamada-jose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindcompositores.org.br\/?p=384","title":{"rendered":"UMA TURN\u00ca CHAMADA JOS\u00c9"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"438\" height=\"293\" src=\"https:\/\/sindcompositores.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-385\" style=\"width:800px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sindcompositores.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/4.png 438w, https:\/\/sindcompositores.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/4-300x201.png 300w\" sizes=\"(max-width: 438px) 100vw, 438px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por Marcio Paschoal (*)<\/p>\n\n\n\n<p>Agora que a pandemia est\u00e1 dando um tempo, come\u00e7amos a ver ressurgir alguns espet\u00e1culos ao vivo. Um, em particular, vem chamando aten\u00e7\u00e3o por mesclar singeleza, talento e desafeta\u00e7\u00e3o. O nome do show j\u00e1 diz um pouco sua inten\u00e7\u00e3o. \u201cJos\u00e9\u201d. Simples. Poderia tamb\u00e9m ser \u201cJos\u00e9 Ribamar\u201d ou \u201cJos\u00e9 Ribamar Coelho Santos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ficou mesmo \u201cJos\u00e9\u201d a nova apresenta\u00e7\u00e3o musical e intimista do cantor e compositor Zeca Baleiro. \u201cChovia no canavial \/ na noite em que eu quis partir \/ tristeza no meu carnaval \/ canta longe a juriti \/ o canto que era o sinal \/ de tudo que estava por vir \/ no mato do amor, matagal \/ um gesto que eu nunca esqueci \/ pichado no muro de cal \/ no engenho que eu mesmo ergui \/ moenda de dor, temporal \/ na noite em que quis partir\u201d. Um cart\u00e3o de boas-vindas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em clima de bate-papo, tem in\u00edcio uma esp\u00e9cie de autobiografia musical (o tempo passa, j\u00e1 s\u00e3o mais de 20 anos de carreira) que corre solta e despretensiosa, com hist\u00f3rias de vida, can\u00e7\u00f5es marcantes na vida do artista. E claro, Zeca entremeia a conversa com alguns sucessos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada engessado, numa varia\u00e7\u00e3o que pode incluir \u201cA Flor da Pele\u201d, \u201cLenha\u201d, \u201cBandeira\u201d, \u201cTelegrama\u201d, releituras como \u201cMuzak\u201d ou can\u00e7\u00f5es dos discos mais recentes, &#8220;O Amor no Caos&#8221; e &#8220;Can\u00e7\u00f5es d&#8217;Al\u00e9m-Mar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o show \u00e9 uma minirretrospectiva, senti falta da \u00f3tima \u201cMinha Casa\u201d (cd L\u00edricas) e do hit do \u201cDiabo\u201d, o cara mais underground, mas Tuco Marcondes n\u00e3o estava l\u00e1 para as guitarras distorcidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Zeca solo, em estado puro de viol\u00f5es, desfia hist\u00f3rias, relembrando as can\u00e7\u00f5es que escutou em Arari no velho r\u00e1dio com v\u00e1lvulas, toca cl\u00e1ssicos em vinis na vitrola, Nora Nei, Pepino di Capri, S\u00e9rgio Sampaio, e o p\u00fablico, como Zeca mesmo ressalva \u201cna sua maioria vintage\u201d, vai se deliciando.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 o momento liter\u00e1rio, com poemas de autores t\u00e3o necess\u00e1rios de serem apresentados ou resgatados, como Jorge de Lima. Nada \u00e9 programado nesse encontro do artista com sua galera e o repert\u00f3rio flui de acordo com o andar das conversas. A plateia \u00e9 convidada a participar em duetos.<\/p>\n\n\n\n<p>Zeca justifica que em cada lugar em que se apresenta o sotaque do coro difere. Por aqui tivemos um hil\u00e1rio \u201cviver \u00e9 bom esquece as penassxx vem morar comigo em Babylon\u201d.<\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"438\" height=\"293\" src=\"https:\/\/sindcompositores.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/6.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-386\" style=\"width:800px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sindcompositores.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/6.png 438w, https:\/\/sindcompositores.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/6-300x201.png 300w\" sizes=\"(max-width: 438px) 100vw, 438px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Zeca Baleiro recebe o p\u00fablico como se estivesse na sala de sua casa, narra passagens curiosas (como quando se apresentou no programa de audit\u00f3rio da Xuxa) ou na bem-humorada autocr\u00edtica, em recortes de jornais sobre seus trabalhos, quando a autora cisma com o verso de \u201cando triste, tristinho\u2026\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No final, bis esperado, Zeca emenda um repente-protesto contra a figura nefasta de Bolsonaro, o tosco. Tudo transcorrendo com naturalidade e prop\u00edcio a improvisos, faceta m\u00faltipla da verve do artista. Zeca j\u00e1 passou com sua turn\u00ea \u201cJos\u00e9\u201d por S\u00e3o Paulo, Recife, Macei\u00f3 e Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3xima parada \u00e9 Porto Alegre. Vida longa ao Sr Jos\u00e9, cronista musical com seu humor inteligente e seu carisma natural. Ou vice-versa.<\/p>\n\n\n\n<p>(*) escritor, autor das biografias de Jo\u00e3o do Vale e Rog\u00e9ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcio Paschoal (*) Agora que a pandemia est\u00e1 dando um tempo, come\u00e7amos a ver ressurgir alguns espet\u00e1culos ao vivo. Um, em particular, vem chamando aten\u00e7\u00e3o por mesclar singeleza, talento e desafeta\u00e7\u00e3o. O nome do show j\u00e1 diz um pouco sua inten\u00e7\u00e3o. \u201cJos\u00e9\u201d. Simples. Poderia tamb\u00e9m ser \u201cJos\u00e9 Ribamar\u201d ou \u201cJos\u00e9 Ribamar Coelho Santos\u201d. Mas ficou mesmo \u201cJos\u00e9\u201d a nova apresenta\u00e7\u00e3o musical e intimista do cantor e compositor Zeca Baleiro. \u201cChovia no canavial \/ na noite em que eu quis partir \/ tristeza no meu carnaval \/ canta longe a juriti \/ o canto que era o sinal \/ de tudo que estava por vir \/ no mato do amor, matagal \/ um gesto que eu nunca esqueci \/ pichado no muro de cal \/ no engenho que eu mesmo ergui \/ moenda de dor, temporal \/ na noite em que quis partir\u201d. Um cart\u00e3o de boas-vindas. Em clima de bate-papo, tem in\u00edcio uma esp\u00e9cie de autobiografia musical (o tempo passa, j\u00e1 s\u00e3o mais de 20 anos de carreira) que corre solta e despretensiosa, com hist\u00f3rias de vida, can\u00e7\u00f5es marcantes na vida do artista. E claro, Zeca entremeia a conversa com alguns sucessos. Nada engessado, numa varia\u00e7\u00e3o que pode incluir \u201cA Flor da Pele\u201d, \u201cLenha\u201d, \u201cBandeira\u201d, \u201cTelegrama\u201d, releituras como \u201cMuzak\u201d ou can\u00e7\u00f5es dos discos mais recentes, &#8220;O Amor no Caos&#8221; e &#8220;Can\u00e7\u00f5es d&#8217;Al\u00e9m-Mar&#8221;. Como o show \u00e9 uma minirretrospectiva, senti falta da \u00f3tima \u201cMinha Casa\u201d (cd L\u00edricas) e do hit do \u201cDiabo\u201d, o cara mais underground, mas Tuco Marcondes n\u00e3o estava l\u00e1 para as guitarras distorcidas. Zeca solo, em estado puro de viol\u00f5es, desfia hist\u00f3rias, relembrando as can\u00e7\u00f5es que escutou em Arari no velho r\u00e1dio com v\u00e1lvulas, toca cl\u00e1ssicos em vinis na vitrola, Nora Nei, Pepino di Capri, S\u00e9rgio Sampaio, e o p\u00fablico, como Zeca mesmo ressalva \u201cna sua maioria vintage\u201d, vai se deliciando. H\u00e1 o momento liter\u00e1rio, com poemas de autores t\u00e3o necess\u00e1rios de serem apresentados ou resgatados, como Jorge de Lima. Nada \u00e9 programado nesse encontro do artista com sua galera e o repert\u00f3rio flui de acordo com o andar das conversas. A plateia \u00e9 convidada a participar em duetos. Zeca justifica que em cada lugar em que se apresenta o sotaque do coro difere. 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